domingo, 4 de maio de 2008
Artigo publicado sobre Macaé
Keisy Bossan Moraes
Bacharelanda em Comunicação Social
Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora
Resumo
Com este artigo pretendo analisar o desenvolvimento da cidade de Macaé causado pela exploração do petróleo na região a partir da década de 70, mostrando as conseqüências positivas e negativas causadas pelo crescimento da cidade.
Palavras-chave: Desenvolvimento, Petróleo, Riquezas naturais.
ABSTRACT
With this article I intend to analyze the development of the city of Macaé caused by the exploration of the petroleum in the area starting from the decade of 70, showing the positive and negative consequences caused by the growth of the city.
Key words: Development, Petroleum, Wealth.
O filho de Araribóia, Amador Bueno, chefiou o povoado que corresponde hoje à cidade de Macaé. O outro núcleo primitivo se estabeleceu na Freguesia de Neves, onde o missionário Antonio Vaz Ferreira conseguiu catequizar os índios que campeavam às margens dos rios Macaé, Macabu e São Pedro. A colonização oficial feita pelos jesuítas só teve início em fins de 1630, quando eles começaram a erguer a Capela de Santana, um engenho e um colégio num lugar posteriormente conhecido como a Fazenda dos Jesuítas de Macaé. Macaé torna-se vila em 29 de julho de 1813 e município em 25 de janeiro de 1814. Passagem terrestre obrigatória entre o Rio de Janeiro e Campos, Macaé foi sede do registro criado pelos viscondes de Asseca, com a função de cobrar impostos e fiscalizar tudo o que saía da Paraíba do Sul, mantendo o território sob ferrenha opressão. Em 15 de abril de 1846, a lei provincial nº 364 eleva a Vila São João de Macaé à categoria de cidade.
Macaé é um município privilegiado, pois reúne serra e mar em uma cidade. Na região serrana é possível encontrar áreas ecológicas bem preservadas como o distrito do Sana. Abriga parte do Parque Nacional de Jurubatiba atraindo muitos pesquisadores pela sua biodiversidade. Possui também prédios com a arquitetura antiga como a Nova Aurora.
Segundo a pesquisa da Simonse Associados/Revista Exame, realizada em 2001, Macaé foi reconhecida como o 44º município em oportunidades de negócios.
Hoje a cidade colhe os frutos desse desenvolvimento, tem indicadores de riqueza e crescimento econômico. A prefeitura tem um orçamento para 2003 de R$ 372 milhões e é o quarto município em qualidade de vida do Estado. Uma transformação ocorre no perfil da cidade e as conseqüências dessa transformação vão mudar o futuro da cidade e da população.
O município cresce para todos os lados. Centenas de estrangeiros chegaram à cidade junto com as multinacionais. Bairros surgiram a partir de condomínios sofisticados construídos para abrigá-los.
O desenvolvimento gera empregos e renda. O setor de serviços é o que mais emprega na cidade, ficando até à frente das indústrias offshore.
Visando a qualificação dos futuros profissionais para os empregos surgidos na cidade a Prefeitura está investindo na educação do município. A maior parte orçamentária é destinada à educação pública. Pode-se dizer que todas as crianças do município estão na escola. E faculdades, aos poucos, estão começando a surgir podendo proporcionar aos estudantes macaenses um nível superior sem precisarem ir para cidades vizinhas.
O grande desenvolvimento da cidade traz problemas também. A cidade está crescendo rapidamente, desordenadamente e sem o planejamento para suportar a quantidade de pessoas que vêm para cidade. Macaé não é capaz de oferecer a infra-estrutura necessária para a população e para as empresas.
O setor imobiliário é muito caro. A especulação é grande. Os empresários do setor encarecem os imóveis, pois a cidade está crescendo e as pessoas têm necessidade de morar em Macaé e se não estiverem dispostas a pagar o que é cobrado, isso não será possível. E quem acaba sendo prejudicado são as crianças e os jovens, pois futuramente vão querer possuir imóveis para começarem a construir suas vidas e terão a dificuldade de conseguí-los.
Os estrangeiros e as empresas que chegam à cidade a trabalho, não investem no município. Depois vão embora e não contribuíram em nada para com o desenvolvimento. Exploram, ganham seus dólares e voltam para seus locais de origem.
Por conseqüência, a população de menos poder aquisitivo de Macaé e que vêm de outros lugares em busca de emprego, estão se instalando na periferia da cidade, dando início ao processo de favelização, porque é na periferia que os imóveis são mais baratos e mais acessíveis e a prefeitura não faz nenhum programa para ajudar essas pessoas, pelo menos para que as mesmas tenham condições de viver com o mínimo de dignidade.
A quantidade de automóveis que circulam no município é imensa, ficando quase impossível andar de carro no centro da cidade. Por falta de planejamento, a Prefeitura Municipal não soube perceber que as ruas não conseguiriam manter um bom fluxo dos veículos. As condições das ruas, por causa do alto fluxo de carros são péssimas, são muito esburacadas e sem uma boa manutenção.
Uma conseqüência que pode ser encontrada na maioria das grandes cidades brasileiras é a violência. Macaé está com um índice altíssimo de homicídios. Os bandidos e os traficantes vêem na cidade uma possibilidade de lucro e, no entanto, o aparato de segurança do município apresente sérios problemas operacionais.
Problemas ambientais também são encontrados no município por falta de tratamento de esgoto. Muitas vezes ele é jogado nas praias da cidade e em alguns bairros o esgoto fica ao ar livre, expondo os moradores ao mau cheiro.
O setor de saúde também deixa a desejar, mesmo tendo a menor taxa de mortalidade infantil do estado, cerca de 10%. A cidade ainda não tem um hospital público adequado em funcionamento, capaz de dar um bom atendimento de acordo com a demanda.
Na área turística Macaé poderia ter um investimento maior, pois tem uma riqueza natural muito diversificada e que sendo bem explorada pode aumentar muito o índice de turistas.
O dinheiro vindo do petróleo transformou Macaé em um município rico e com os indicadores de desenvolvimento econômico e social superiores aos da média brasileira. Com toda essa riqueza Macaé passou a ter características de uma cidade grande. A cidade cresceu muito rápido e desordenadamente e sem um planejamento prévio, trazendo problemas para os moradores.
Os macaenses estão sentindo a mudança da cidade, pois estão perdendo vagas em empregos, pois as multinacionais que chegam na cidade já trazem seus profissionais. Talvez a Prefeitura pudesse fazer mais com relação a isso criando um convênio. A Prefeitura facilitaria a vinda dessas empresas para a cidade se a mesma empregasse um número "x" de pessoas da cidade.
A questão da violência é um pouco mais complicada pois não depende só da Prefeitura, mas ela pode ajudar. Quando ela incentiva os jovens para o estudo, dando-lhes uma esperança e principalmente condições de se verem em um bom emprego, podendo ajudar a família, o índice de violência, certamente abaixaria bastante. Outra atitude que os órgãos municipais poderiam tomar em com relação à polícia, seria cobrar uma atuação maior e melhor no cotidiano na cidade.
Os órgãos competentes do município devem investir na cidade para que ela possa comportar a quantidade de pessoas que chegam. Devem fazer um bom projeto em infra-estrutura para que atraia cada vez mais investidores.
Deve-se explorar o turismo através das riquezas naturais. O município poderia pegar os jovens e adolescentes de menos poder aquisitivo colocando-os na escola e treinando-os para serem guias turísticos mirins, podendo assim, ajudar suas famílias. São tantos lugares bonitos e podem ser explorados nesse sentido. Estão ali o Forte Marechal Hermes, a Igreja de Sant'Ana, a Igreja de São João Batista, Prédio da Sociedade Musical Lyra dos Conspiradores, o Farol, entre outros. Talvez se deixasse de se preocupar com a estética, construindo calcadas e canteiros, e se preocupasse mais com os moradores criando programas municipais para ajudar os que não possuem condições favoráveis, talvez fosse recomendável investir também na pesca e agricultura.
E uma das coisas mais importantes, investir na cultura. Não adianta trazer muitas peças teatrais e shows no Teatro Municipal de Macaé se as pessoas não vão. É preciso incentivar as pessoas a irem ao teatro. É preciso criar essa cultura.
Outro fator é o de carência em opções de lazer. Tudo gira em torno da Praia dos Cavaleiros. Não havendo outras opções, as pessoas procuram as cidades vizinhas como Rio das Ostras, Campos dos Goytacazes e a Região dos Lagos.
A Prefeitura tem que se preocupar com o futuro, principalmente quando o petróleo não for a principal fonte de renda do município. Porque quando acabar o líquido negro, as multinacionais vão embora e os estrangeiros também, e se não for feito nada hoje, Macaé vai se tornar uma cidade fantasma e seus moradores vão ficar sem emprego.
Enfim, Macaé é uma cidade de porte médio e que cresce constantemente. Cabe à população cobrar maior empenho das autoridades e conhecer seus direitos. A Prefeitura Municipal está trabalhando, mas há ainda espaço para fazer muito mais e fazer sempre se algumas medidas forem tomadas e se a população se unir em benefício do município. A cidade pode melhorar ainda mais os índices de economia e se tornar uma cidade tranqüila para se viver, lugar onde se possa trabalhar e usufruir de suas riquezas, atrair cada vez mais turistas e investidores, crescendo assim, no cenário nacional.
Daqui a dez anos as pessoas sabem as conseqüências das atitudes tomadas hoje para uma qualidade de vida melhor em Macaé.
Referências Bibliográficas
Royalties bem aplicados. O Dia. Macaé, 25/06/2003, Economia & Serviços, pp. 18.
Crescimento constante. O Dia. Macaé, 25/06/2003, Economia & Serviços, pp. 19.
Apresentação. Prefeitura de Macaé, Macaé. www.macae.gov.rj. 13/06/2003.
História. Prefeitura de Macaé, Macaé. www.macae.gov.rj. 13/06/2003.
BRUM, Eliane. A babel do petróleo. Desenvolvimento, Macaé, Ed. 140, 2001. http://epoca.globo.com/edic/20010122/brasil7a.htm. 13/06/203.
JUNIOR, Nilson Brandão. Economia. Macaé colhe os lucrativos frutos do petróleo 06/04/03. 2003.
http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2003/04/06/eco039.html. 25/06/2003.
Brasil Energia. Os dois lados da rica Macaé. Macaé, 2002.
http://www.brasilenergia.com.br/energia/oldbe/dez2002/26.asp. 25/06/2003.
Macaé. Pontos Turísticos, Macaé.
http://www.citybrazil.com.br/rj/macae/turismo.htm. 30/06/2003.
Artigo de jornalista convidada: Bruna Bonafé
Progresso?
Até meados nos anos 70 a principal atividade econômica de Macaé, município situado ao norte do Rio de Janeiro, era a pesca. Trinta anos depois da descoberta do petróleo na região, e com o número de habitantes triplicado, a antiga cidade pesqueira começa a descobrir que todo desenvolvimento tem um preço.
A instalação da Petrobrás e de sua sede de operações da Bacia de Campos mudou o cenário de Macaé. A Bacia de Campos produz 80% do petróleo nacional, importância que mudou também a vida de seus moradores. A pacata cidade, hoje, parece um canteiro de obras, novos bairros, prédios e mais prédios, hotéis e crescimento do terceiro setor, o de serviços. Mas se engana quem pensa que a cidade é só isso. Por trás dos prédios, as favelas, os conjuntos habitacionais, os bairros da periferia. O petróleo que gera emprego mexe com a ambição e a vontade de vencer, de viver melhor. Impulsionadas por sonhos e por histórias que deram certo, pessoas de diversas regiões do país vão a Macaé, o Eldorado fluminense em busca de trabalho. Mas chegar lá não é garantia de sucesso, não para todos.
O número de empregados com carteira assinada em Macaé cresce a cada ano, na mesma proporção que a exigência de qualificação profissional. O aumento da quantidade de unidades de perfuração só dá oportunidade para mão de obra altamente qualificada, o que não condiz com a realidade nacional e regional. Bom lembrar que parte dos trabalhadores que abocanham os ganhos gerados pela exploração do petróleo é formada por estrangeiros, já que as plataformas contam com equipes de especialistas de outros países.
Uma das maiores rendas per capita do país convive nada pacificamente com a proeza de liderar a violência no estado do Rio de Janeiro. Estatísticas são apenas números quando não interpretadas. O expressivo crescimento do PIB nos últimos anos e o bom momento do turismo e dos negócios, por exemplo, não são tão positivos quanto parecem. Esses números não atingem a população por inteiro, mas sim algumas de suas parcelas. O lucro trazido por esses setores é aplicado com o intuito de gerar mais investimentos para gerar mais lucros. Como um ciclo. A rede hoteleira é incrementada, a infra-estrutura para o turismo é aumentada, aeroportos ampliados. Mas os serviços básicos que deveriam atender a população em geral continuam estagnados. Ironicamente o PAC (Programa de Aceleração de Crescimento), do Governo Federal, prioriza investimentos, que podem ser chamadas de medidas paliativas, na área de segurança em Macaé, em vez de interferências urgentes na educação e no social, raízes do problema da violência urbana.
É inegável o fato de que muitas pessoas se beneficiaram do crescimento de Macaé. Mas a que custo? O crescimento trouxe modernização e visibilidade internacional à cidade, investimentos, infra-estrutura e riqueza. Por outro lado, a falta de planejamento acarretou em violência, especulação imobiliária, alta de preços em geral, desigualdade, desemprego, segregação social e todas as suas conseqüências. O crescimento do litoral norte do Rio não foi, definitivamente, sinônimo de desenvolvimento. O sistema excludente do qual todos fazemos parte, aliado ao crescimento rápido e desordenado, sem o subsídio de políticas públicas de base deixaram parcela significativa de seus habitantes, novos ou velhos, de fora da arrancada da cidade. O equilíbrio socioeconômico é tão frágil quanto o equilíbrio ambiental dos mananciais de Macaé.
Difícil falar sobre problemas sociais sem sair do senso comum. “Carência de educação” e “desemprego e crise social” podem parecer velhas teorias caducas ou argumentos fracos, mas infelizmente não são. São temas que nos acompanham há séculos e estão tão presentes em nossa sociedade que parecem não mais incomodar. Ficamos insensíveis a eles. Talvez por isso, para os governantes e investidores de Macaé seja mais pertinente falar e se gabar sobre o “boom” do turismo na cidade do que tocar em assuntos como o das milícias formadas por seus jovens, vítimas de anos de dolorosa negligência e esquecimento.
Bruna Bonafé.
28/04/2008.
Artigos publicados sobre Macaé
Macaé: de baleneário a porto
Daniele Taranto Pereira dos Santos
Bacharelanda em Comunicação Social
Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora
Resumo
Este artigo mostra como assunto os efeitos fundamentais do progresso econômico na cidade de Macaé, desde a chegada da Petrobras até hoje em dia, focalizando a perda de identidade de seus habitantes, relacionada ao crescimento de população descontrolado devido ao crescimento econômico.
Palavras-chave: Petrobras, Progresso, Identidade
ABSTRACT
This paper shows as subject key effects of the economical progress in the town of Macaé, since the arrival of Petrobras till nowadays, focusing the identity loss from your inhabitants, related to the uncontrolled population growth due to the economical growing.
Key words: Petrobras, Progress, Identity
A cidade de Macaé sente na pele os efeitos da globalização. Antiga cidade pacata, paraíso turístico de mineiros e campistas que descansavam e se divertiam ao som das ondas do mar da Praia de Imbetiba. Hoje se transformou numa "terra de ninguém". Sofreu uma profunda perda de raízes e identidade. Foi abalada pelo inchaço populacional advindo pela chegada de tanta gente em busca de emprego e qualidade de vida.
Nem a praia é mais a mesma: hoje a vista que se pode ter dela inclui navios enormes e plataformas ultramodernas. O cartão postal da cidade é a Petrobras. De balneário a capital do petróleo, não se sabe quem perdeu mais: a cidade ou o seu povo. Ou quem ganhou mais...
Remontando o quebra-cabeça da história de Macaé, pode-se destacar como sua primeira atividade econômica a pesca, alimentada pela crescente abundância de peixes na região, seguida da agricultura que possibilitou a elevação de Macaé à categoria de vila.
No início do século XIX, começa a exploração de madeira e a produção agrícola aumenta: cereais, feijão, arroz, fumo. As terras, às margens do rio, eram fertilíssimas. A vila então cresce e começam a surgir as primeiras indústrias que desenvolveram rapidamente e destacaram-se pela qualidade e beleza de seus produtos ( pode-se citar as fábricas de tamancos e mais tarde, as de sandálias ).
Na segunda década do século XIX, a cidade obtém a emancipação. Em muito pouco se parecia com a Macaé de hoje e o faz somente por suas belezas naturais. Mas o primeiro eldorado de sua história estava ainda por vir: em 1848 acontece o primeiro ciclo de progresso da cidade, com a construção do canal Macaé-Campos que aumentou, consideravelmente, a economia do município. O canal foi importante para a economia macaense sobretudo porque possibilitou a descoberta de novos mercados via Rio Paraíba, para todos os produtos macaenses, em maior escala café e sal refinado , pois o município era o celeiro no Norte Fluminense.
Em 1878 é fundada a primeira usina de açúcar da América do Sul, no antigo distrito de Quissamã, o que também gerou grande desenvolvimento para a cidade. Um pouco mais tarde, por aqui passaram fábricas de fósforo e sabão, exploração de minério ( areia dourada de grande poder de resistência ao calor, utilizada na indústria de fundição ), que na época foi uma boa fonte de receita, pois era vendido para os grandes centros e chegou a ser exportado para Portugal e outros países da Europa. Tempos depois, em virtude de novas tecnologias aplicadas nos sistemas de fundições, o produto ficou superado.
Em 1922, a população da cidade se restringia a 54.892 habitantes, incluindo os distritos já emancipados. É curioso notar que a maior parte da população não se concentrava na área urbana, mas na zona rural, devido à pecuária e à agricultura. Hoje, segundo dados do IBGE, a população fica em torno de 130.000 habitantes. Não podemos esquecer a população flutuante que lota os hotéis durante a semana, mas não investe na cidade nem gasta aqui seu dinheiro. A cidade sofre os abalos, mas não sente o retorno daqueles que aqui vêm trabalhar.
Muitos vêm em busca de um sonho que nem sempre se concretiza. Vemos então inúmeras favelas e muitos mendigos pelas ruas, tendo cerca de 20% da população morando em áreas invadidas. Outros vêm pela exigência do mercado, que a princípio não oferecia mão-de-obra qualificada (até hoje a mão-de-obra especializada é precária). Até hoje isso deixa um certo descontentamento nos macaenses, pois somente agora temos faculdades na cidade, mesmo assim restringindo a alguns cursos, havendo ainda a necessidade de deslocamento para outros municípios em busca do ensino superior. Essa mão-de-obra qualificada que aqui aportou em final dos anos 70 e até hoje é exigência do mercado, é uma tendência da globalização que se pode sentir no mundo todo, e ainda mais quando se vive numa cidade considerada o "Texas brasileiro". Devemos ter presente que esse termo lembra alta qualidade de vida, anseio de todos, mas a cidade possui ainda carências no setor de saúde, moradia, esgoto, água tratada etc..
A nossa infra-estrutura é ruim. Temos a mesma rede de esgoto construída na década de 30. Talvez por motivos como esse haja intolerância por parte dos macaenses natos em relação aos governantes e migrantes, pois os que aqui nasceram e viveram puderam acompanhar as sucessivas modificações da cidade e a falta de interesse dos governantes locais. Não houve uma política de planejamento na cidade para receber as pessoas que para cá se mudaram, e o aumento da violência é claro para qualquer um que aqui viva: a criminalidade cresce mais do que na capital. O índice de homicídios aumentou escandalosamente, nada é feito para sanar tal problema. Para completar, a cidade só recebe críticas daqueles que aqui encontraram emprego e moradia.
Em uma entrevista ao Sr. André, farmacêutico, 36 anos, casado, macaense, a indignação é clara:
"as pessoas que vêm de fora devem ter mais participação na política e na economia da cidade e não ficar somente sugando e criticando a mesma, dizendo que Macaé não tem profissionais competentes, nem comércio adequado. Afinal de contas, se eles não colaboram para que a cidade melhore, não podem criticá-la, já que eles também são parte dela e não somente forasteiros."
Segundo o editorial do "Macaé Jornal" da última semana do mês de junho/2003, cujo assunto era a vinda de uma refinaria para a cidade, há a seguinte afirmativa:
"de acordo com opiniões colhidas com macaenses representantes de segmentos representativos de Macaé sobre a possível vinda de uma refinaria para a cidade, elas acham que a vinda da Petrobras para Macaé foi muito importante, pois contribuiu para geração de empregos para os nativos, melhorou o nível cultural da cidade e proporcionou oportunidades de negócios num mercado cada vez mais aquecido. Mas as mesmas pessoas que aqui nasceram e foram criadas, acostumadas ao ritmo pacato da cidade, também sofrem pela perda da identidade da cidade e das tradições e se espantam ao se depararem com notícias destacando Macaé como a quarta melhor qualidade de vida do estado e logo se lembram do choque social que a cidade sofre e poderia sofrer ainda mais com a vinda da refinaria, e não gostaria de tê-la por aqui, ressaltando que a cidade tem dinheiro suficiente para ser realmente um bom lugar de se viver e que só a Petrobras nos basta".
Nestas declarações ficam claros os benefícios que o progresso trouxe à cidade, assim como os problemas . A vinda de estrangeiros proporcionou aumento na prostituição: temos áreas destinadas a tal ramo no centro da cidade e em restaurantes respeitados. Pode-se estar jantando ou passeando com a família e presenciar uma negociação do sexo, sem que ao menos se disfarce ou tenha a intenção de fazê-lo.
O custo de vida aqui é altíssimo. Imóveis são pagos em dólar pelas multinacionais, tornando, muitas das vezes, inviável para brasileiros (não somente macaenses) pagarem tais aluguéis ou mesmo comprarem um imóvel, mesmo que ele seja distante do centro e fique em áreas não muito valorizadas.
Assim como em 1930, Macaé vive uma fase em que a economia e toda a vida macaense vive em função de um único produto; naquela década, a cidade vivia o Ciclo do Café; com a crise mundial em 1929, também sofremos as conseqüências e com a queda dos preços internacionais do produto, agravados pelo excesso de produção e pelas ofertas do mercado interno, Macaé teve sua primeira bancarrota. Tudo virou sucata, indústrias fecharam, os imóveis se desvalorizaram em mais de sessenta por cento. As terras foram abandonadas por lavradores e proprietários.
Mais ou menos dessa forma vivemos hoje: em torno do petróleo, que dá muito lucro à cidade, seja em forma de royalties ou de PIB per capita elevado ( vale a pena lembrar que as desigualdades são enormes, pois é para poucos ), o problema é que o petróleo não é eterno. Urge que se faça algum planejamento a longo prazo para que a cidade sobreviva ao fim de mais esse ciclo e não aconteça como em 1930.
Uma saída para tal preocupação seria fomentar o turismo macaense, já que temos uma natureza exuberante: serra e mar, coexistindo numa mesma cidade privilegiada pelas belezas naturais. Temos cachoeiras lindíssimas e algumas ainda quase virgens, praias bonitas, uma orla agradável e ainda o Parque Nacional de Jurubatiba. Poderíamos oferecer opções de lazer e atrair turistas que aqui viessem para usufruir da cidade e não somente explorá-la.
Há tempo, tínhamos uma contribuição do turismo no contexto econômico do município. A iniciativa privada fazia a completa promoção da cidade e o poder público não investia um só centavo diretamente na promoção local. Mesmo assim tínhamos um turismo de resultado, que influía na receita municipal e proporcionava a sobrevivência de inúmeras famílias que dele viviam. Pescadores também se beneficiavam, assim como o comércio e as fábricas da cidade: não havia ninguém que voltasse para casa sem levar uma lembrança da cidade.
Comparando com a fase econômica que Macaé atravessa, recursos não faltam para que haja planejamento e investimento no turismo macaense, que poderia ser uma boa fonte de renda para a cidade. Quem sabe um projeto de reurbanização da Praia dos Cavaleiros, afastando os ambulantes e criando condições para estes trabalharem em quiosques, oferendo-lhes oportunidade de crescimento, beneficiando e embelezando a cidade ?
Não cabe a mim buscar soluções, mas deixar aqui meu parecer. Com a receita de hoje, uma parcela da população com alto poder aquisitivo e uma outra parcela necessitando de oportunidade de trabalho, o turismo poderia cobrir o abismo social existente por aqui.
Talvez uma nova caracterização da cidade, uma busca de identidade perdida ao longo dos anos possa ser encontrada nesse segmento, trazendo de volta os ares agradáveis de antes, oferecendo a pessoas oriundas de culturas diferentes uma pouco da nossa cultura, e não permitir que vejamos somente influências negativas. Não se pode ver a situação somente pelo prisma econômico. É necessário analisar fatores sociais , culturais e humanos, num "Texas brasileiro" recheado de diferenças gritantes, que muitos tentam ignorar, mas que nós, macaenses, sentimos na pele.
Referências Bibliográficas
BORGES, Armando. História da economia de Macaé. Macaé: Damadá Artes Gráficas e Editora Ltda.
BORGES, Armando. História do Canal Macaé-Campos. Macaé: Damadá Artes Gráficas e Editora Ltda., 2000.
QUEM nasceu em Macaé não quer refinaria aqui. Macaé Jornal, Macaé, 21 a 27 de junho de2003, n.º 277, p. 2
PEREIRA, Dilton. Texas, fronteira com Etiópia. Macaé Jornal, Macaé, 21 a 27 de junho de 2003, n.º 277, p. 2.
Revista Commercial. Macaé, julho de 1923. Única publicação.
Estatísticas (Eric)
Entrada de Macaé no ranking dos 10 maiores PIBS do país.
O PIB dos Municípios mostra que, em 2004, foi mantida a concentração em relação à produção de riquezas no país: em 1999, sete municípios somavam 25% do PIB nacional; cinco anos depois, a mesma fatia era dividida por dez municípios. Da mesma forma, continua o processo de perda de peso das capitais na produção de riquezas, em detrimento dos demais municípios das suas regiões metropolitanas e daqueles fora dos grandes centros urbanos.
Os dez municípios que representavam 25% do PIB em 2004 eram, por ordem decrescente, São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Manaus (AM), Belo Horizonte (MG), Campos dos Goytacazes (RJ), Curitiba (PR), Macaé (RJ), Guarulhos (SP) e Duque de Caxias (RJ). Em relação a 2002, as seis primeiras posições permaneceram inalteradas, ocorrendo ganho de posição de Curitiba e Macaé.
Macaé subiu no ranking, com um aumento da participação relativa de 0,91% para 1,04%, de 2003 para 2004. O município fluminense, que não figurava entre os dez principais PIBs municipais, entrou no ranking na oitava posição, no mesmo período, os que tiveram maior ganho percentual foram Macaé (0,8%), Campos dos Goytacazes (0,8%), impulsionado pela indústria extrativa, especificamente do petróleo. Em 2004, houve alta do preço do barril de petróleo, em Reais, de cerca de 25% em relação ao ano anterior. Também ocorreu incremento na atividade industrial no setor de equipamentos petrolíferos.
Pela primeira vez o IBGE divulga o PIB dos 5.560 municípios existentes em 2002, quando o PIB brasileiro era de R$ 1,3 trilhão, e revela que nove municípios respondiam por um quarto dessa renda. Em relação ao PIB per capita, o setor petrolífero foi o principal responsável pela elevação dos municípios aos primeiros lugares.
Petróleo é principal causa dos mais altos PIBs per capita.
Uma análise da economia dos dez municípios brasileiros com maior PIB per capita em 2002 revela que o setor petrolífero era o principal responsável pela elevada produção. O PIB per capita é o quociente entre o valor do PIB municipal e a população residente de cada cidade, tomando como referência a data de primeiro de julho de cada ano _é importante ressaltar, porém, que nem toda renda produzida dentro do município é efetivamente apropriada pela população residente.
De 2001 para 2002, os maiores crescimentos ocorreram em municípios que têm o petróleo com peso relevante na economia, como Cabo Frio, cujo crescimento foi de 62,43%, seguido por Macaé (54,92%), Rio das Ostras (51,15%) e Campos dos Goytacazes (40,17%).

A estatística na contramão do desenvolvimento.

O Rio de Janeiro lidera o ranking dos estados com maior número de homicídios na população de jovens de 15 a 24 anos de idade. A constatação é da pesquisa Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros. Em 2004, o estado era o primeiro colocado, com um índice de 102,8 mortes por cada 100 mil habitantes, posição que vem mantendo desde 1994.
Dois municípios fluminenses figuram na lista dos cinco mais violentos para a população jovem. Itaguaí, município da região metropolitana, aparece na quarta posição com 187,1 homicídios por 100 mil habitantes. Macaé aparece logo em seguida, com 187 mortes por 100 mil habitantes.
| Ocorrências Referentes aos Anos de 1998 a 2002 | |||||||
| Título/Ano | 1998 | 1999 | 2000 | 2001 | 2002 | Total | Crescimento no período (%) |
| Homicídio | 56 | 56 | 53 | 88 | 126 | 379 | 125,00 |
| Furto de Veículo | 98 | 143 | 338 | 293 | 202 | 1074 | 106,12 |
| Roubo de Veículo | 25 | 34 | 68 | 103 | 83 | 313 | 232,00 |
| Apreensão de Drogas | 75 | 62 | 71 | 163 | 299 | 670 | 298,67 |
| Apreensão de Armas | 72 | 32 | 99 | 208 | 270 | 681 | 275,00 |
Macaé também figura como a 10ª cidade com maior número de homicídios em todas as faixas etárias, aparecendo como o município mais violento do Rio de Janeiro. Para o prefeito Riverton Mussi, a violência é conseqüência de um crescimento desordenado de Macaé, município que concentra cerca de 80% da produção de petróleo do país, mineral encontrado na região na década de 1970.
“Desde que foi apontada como o novo eldorado, Macaé tem atraído pessoas de vários lugares do país. Com isso, muitas pessoas sem nenhuma qualificação, ficaram à margem do crescimento e da oportunidade de trabalho. Isso fez com que surgissem favelas e se aumentasse muito a violência na cidade nesse período”, disse.
Na Região Norte Fluminense, Macaé é o município que apresenta maior taxa de crescimento anual entre 1991 e 2000, maior taxa de urbanização e maior densidade demográfica. Macaé é o município da Região Norte Fluminense que mais recebe pessoas de outras localidades, como se pode ver na tabela a seguir:
| Pessoas não-residentes em Macaé, por origem migratória segundo as Regiões de Governo e municípios 1996 | |||||
| Região e Municípios | Total | Estado do Rio de Janeiro | Outra Unidade da Federação | Outro país | Ignorado |
| Região Norte Fluminense | 25 322 | 18 981 | 5 846 | 242 | 253 |
| Campos dos Goytacazes | 7 588 | 5 456 | 1 976 | 86 | 70 |
| Carapebus | 354 | 285 | 68 | - | 1 |
| Cardoso Moreira | 499 | 443 | 45 | - | 11 |
| Conceição de Macabu | 891 | 816 | 66 | 1 | 8 |
| Macaé | 12 291 | 8 816 | 3 270 | 149 | 56 |
| Quissamã | 295 | 214 | 15 | - | 66 |
| São Fidélis | 851 | 792 | 50 | 1 | 8 |
| São Francisco de Itabapoana | 904 | 624 | 263 | 3 | 14 |
| São João da Barra | 1 649 | 1 535 | 93 | 2 | 19 |
Como conseqüência principalmente da migração, a população de Macaé também aumentou bastante, como podemos constatar na tabela a seguir:
| Tabela 3 – Evolução da População de Macaé 1940-2000 | |||||||
| Região e Municípios | 1940 | 1950 | 1960 | 1970 | 1980 | 1991 | 2000 |
| Região Norte Fluminense | 344 053 | 365 809 | 431 424 | 471 038 | 514 644 | 611 576 | 696 988 |
| Campos dos Goytacazes | 180 677 | 200 327 | 246 865 | 285 440 | 320 868 | 376 290 | 406 511 |
| Carapebus | 9 369 | 8 825 | 7 179 | 8 164 | 6 834 | 7 238 | 8 651 |
| Cardoso Moreira | 22 231 | 21 657 | 22 476 | 17 958 | 14 728 | 12 819 | 12 579 |
| Conceição de Macabu | 8 702 | 9 153 | 9 730 | 11 560 | 13 624 | 16 963 | 18 706 |
| Macaé | 28 961 | 27 839 | 41 972 | 47 221 | 59 397 | 93 657 | 131 550 |
| Quissamã | 9 003 | 9 056 | 9 654 | 9 933 | 9 620 | 10 467 | 13 668 |
| São Fidélis | 45 679 | 43 869 | 38 715 | 35 143 | 34 976 | 34 581 | 36 774 |
| São Francisco de Itabapoana | 28 760 | 32 301 | 36 720 | 39 883 | 35 932 | 38 714 | 41 046 |
| São João da Barra | 10 671 | 12 782 | 18 113 | 15 736 | 18 665 | 20 847 | 27 503 |